segunda-feira, 16 de março de 2009

Conversas de Elevador





















Bem, alguns textos que colocarei aqui eu já postei no fotolog. Mas, para quem não leu, colocarei aqui também, só os melhores (quer dizer, os únicos ¬¬'). Os textos que forem by fotolog colocarei antes: (by fotolog).

(by fotolog) "Eu sei que todo mundo já viu ou já escreveu uma história sobre conversa no elevador. Não quero ser clichê, mas gostaria muito de escrever também. E como toda história que escrevo, a inspiração vem sempre de algum fato, nenhuma vem do nada.

A história “Quando as luzes se apagam” foi inspirada quando faltou energia aqui em casa, no sábado. A de Benjamin Franklin, de uma gafe do menino da fila de cinema.

Essa história de hoje foi quando, no curso de fotografia aos sábados, estavam quatro alunos mais o professor dentro do elevador, em um silêncio. Até que um deles, Jamerson, falou: calor né? Aí todo mundo morreu de rir! Por que quando não se tem assunto as pessoas perguntam sobre o tempo? Descubra agora!


Roberto estava apressado e assim que viu a porta do elevador quase fechando correu mais do que pode para conseguir entrar. Não podia se atrasar para sua entrevista de emprego. Há muito tempo sonhava com o cargo de gerente de marketing. E essa oportunidade ele não podia perder.
Dentro do elevador já estava um senhor que aparentemente não era funcionário do alto escalão, pela sua roupa informal.
Roberto, quando fica nervoso, não gosta de ficar calado. Precisa falar para relaxar. “Mas o que vou falar com esse velho?”. Aaai, e agora? Lembrou que sempre se falam sobre o tempo, é uma boa para puxar assunto.

- Calor, né?
- Não, está frio.
- Frio? O senhor é doido? Não é a toa que chamam Recife de “Hellcife”
- É claro que está calor não é? Então porque pergunta?
- Foi só para puxar papo mesmo.
- E pra quê você quer puxar papo?
- Sei lá... pra descontrair...
- Descontrair o quê? Não consegue ficar calado?
- Assim... depende. Às vezes não consigo mesmo.
- E por que tem que falar do tempo sempre? Todo mundo é assim! Ora bolas! Não aguento mais responder: “Pois é, que calor.”
- Mas veja, há uma explicação para ser esse o assunto abundante. Se eu perguntasse ao senhor: O Sport ontem não jogou nada. Aí o senhor poderia dizer que não gosta de futebol, então eu não perguntaria mais nada, pois já levei um fora. Mas se falar do tempo, dificilmente alguém vai negar que está calor, só o senhor que falou para ser diferente...
- Eu não quis ser diferente, só não aguento mais o mesmo assunto!
- Mas é esse é o único tema que alguém dificilmente discorda.
- Eu discordei.
- Não, o senhor não está com calor?
- Claro que estou!
- Então não discorda.
- Eu disse que está frio, então discordei.
- Mas disse uma coisa sentindo outra!
(e esse elevador que não sobe)?
- Tá, tá bom. Mas por mim você ficaria calado e não falaria em assunto nenhum.
- As conversas de elevador podem parecer triviais, mas delas podem surgir grandes oportunidades. Um casal pode se conhecer e futuramente casar, pessoas podem se tornar amigas.
- Com o pouco tempo de conversa?
- Sim, troca-se telefone, email, Orkut, MSN.
- Mas não dá tempo.
- Dá sim! Olha a quanto tempo estamos aqui dentro?
- Também, estamos indo para o 78° andar.
- Isso significa que a probablilidade de as pessoas possuírem um contato mais firme através do elevador é muito maior quando o andar é mais alto, pois o tempo de conversa é mais extenso. Logo, sempre queira ficar no topo!
- Chegamos, enfim!

Roberto foi caminhando até a sala de entrevista. Estranhamente, o senhor caminhava na mesma direção. Até que entraram na mesma sala.

- O Senhor também fará entrevista?
- Sim, podemos começar?
- Como assim?
- Eu entrevistarei você. Quem achavas que eu era?
- Éeee... sei lá. Não sei. Só não imaginava que fosse o senhor!
- Por causa da minha roupa? Fiz isso de propósito. Meu assistente me avisou do candidato que viria, no caso, você mesmo. Pedi para ele o identificar. Então, desci de outro elevador para nós juntos subirmos e eu testar se você pode trabalhar nessa empresa ou não através de suas conversas. E sem saber quem eu sou, é mais fácil descobrir o verdadeiro potencial do candidato, sem mentiras em entrevistas, que sempre ocorre.
- Que interessante! E quanto ao meu futuro?
- Você tem potencial para manter contatos, e não desperdiça uma conversa. Além de ser muito criativo nas respostas. Parabéns, o emprego é seu!
- Mas nem fizemos a entrevista.
- Mas já olhei seu curriculum... Eu só precisava confirmar.
- E quando começo?
- Agora mesmo! E desculpe a grosseria, era parte da encenação.
- Tudo bem..."

Moral da história: Nunca desperdice uma história de elevador. Ela pode ser essencial para sua vida.

2 comentários:

Eduardo Henriques disse...

Adorei essa crônica! Tu bem o sabes! Flá a cronista!!! Estou orgulhoso!!!

Renata disse...

eu adorei essa crônica tb... muito bem escrita
e bem nos moldes de Veríssimo
é pegando um pouquinho de cada mestre q vc construirá seu próprio estilo (uia!)
uhuhuhuhuhuhh

bju